APAE de Maracajá celebra 20 anos de história, inclusão e transformação de vidas
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Maracajá comemorou, nesta terça-feira (2), duas décadas de atuação no município. A celebração aconteceu na própria instituição e reuniu ex-presidentes, ex-diretores, fundadores, professores, alunos, familiares, voluntários, autoridades e membros da atual diretoria em um momento marcado pela emoção, reconhecimento e gratidão.
Durante a solenidade, foram lembrados os desafios enfrentados para a criação da entidade, as conquistas alcançadas ao longo dos anos e a importância do trabalho desenvolvido em prol das pessoas com deficiência e suas famílias.
O ex-prefeito de Maracajá e ex-presidente da APAE, Antenor Rocha, destacou o orgulho que a instituição representa para o município. “A APAE é algo que nos orgulha e foi construída a muitas mãos”, afirmou.
Uma das falas mais detalhadas da cerimônia foi do ex-vereador Geraldo Leandro, considerado uma das peças fundamentais para a fundação da entidade. Ele relembrou os primeiros passos dados pela comunidade para transformar em realidade o sonho de ter uma escola especial em Maracajá. “Lembro de todos os passos iniciais, a primeira reunião, a primeira montagem da diretoria, enfim, momentos que jamais esqueceremos, principalmente os motivos que nos levaram a lutar por essa grandiosa instituição que é a APAE, e que presta um grande trabalho de qualidade no município”, declarou.
A presidente da Câmara de Vereadores de Maracajá, Gisele da Silva Garcia Dal Pont, também ressaltou a relevância da instituição para a cidade. “Quero parabenizar a todos por esses 20 anos. Se tem uma instituição no município que nos orgulha, é a APAE”, disse.
Atualmente presidindo a entidade pela quarta vez, emocionado, Dilnei Pelegrini falou sobre a relação construída com o movimento apaeano ao longo dos anos e o impacto que essa experiência teve em sua vida. “Participar da APAE, posso dizer que foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida. Ganhei muito mais do que fiz para a APAE, tanto na vida pessoal quanto espiritual. Conheci muitas pessoas boas, o movimento apaeano me fez refletir sobre muitas coisas. Apesar de eu achar que estou em uma idade avançada, mas sempre com apoio da minha esposa, não declinei do convite de presidir a instituição pela quarta vez, porque sei que ainda posso contribuir com essa instituição que me alegra e até me dá forças para continuar contribuindo”, relatou emocionado.
A cerimônia também contou com uma bênção especial conduzida pelo padre Fábio Fernandes Roque, que realizou uma oração em agradecimento pelos 20 anos de trajetória da entidade.
Outro momento marcante da celebração foi a homenagem prestada às pessoas que contribuíram, de diferentes formas, para a construção da história da APAE ao longo dessas duas décadas. Voluntários, dirigentes, profissionais e apoiadores receberam o reconhecimento pelo comprometimento e dedicação à causa.
A mesa de autoridades foi composta pelo casal autodefensor da APAE, Luiz Carlos Matias e Ana Carla Pereira Raulino; pelo presidente da instituição, Dilnei Pelegrini; pelo ex-prefeito e ex-presidente da APAE, Antenor Rocha; pelo ex-presidente Lúcio Vânio Moraes; pelo padre Fábio Fernandes Roque; pela presidente da Câmara de Vereadores, Gisele Dal Pont; pelo ex-prefeito Antônio Carlos de Oliveira; pela diretora Regina Borges Leandro; e pelo conselheiro das APAEs da Região Sul, Deonel Alves da Silva.
Para encerrar a programação festiva, foi realizada apresentação dos alunos, o corte do bolo comemorativo e servido um coquetel aos convidados.
Uma história construída pela comunidade
A trajetória da APAE de Maracajá começou a partir da mobilização de um grupo de voluntários de diversos segmentos da sociedade. O objetivo era concretizar um sonho antigo da comunidade: oferecer atendimento especializado às pessoas com deficiência dentro do próprio município.
Até então, estudantes que necessitavam de acompanhamento especializado precisavam se deslocar diariamente para cidades vizinhas, especialmente para Araranguá. A situação gerava dificuldades para as famílias, além dos riscos enfrentados no trajeto pela BR-101.
Sensibilizados com essa realidade, moradores, lideranças comunitárias e familiares uniram esforços para arrecadar recursos por meio de eventos e promoções beneficentes. O trabalho coletivo resultou na fundação oficial da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Maracajá, em Assembleia Geral realizada no dia 2 de junho de 2006.
Poucos meses depois, os sócios do extinto Maracajá Clube deram uma contribuição decisiva para a consolidação do projeto ao doarem a sede da entidade para a futura escola especial. O prédio, localizado na Avenida Getúlio Vargas, no Centro da cidade, precisava passar por reformas e adaptações, mas representava a concretização de um sonho que começava a ganhar forma.
Enquanto as obras eram realizadas, a Escola Especial da APAE iniciou suas atividades em maio de 2007, funcionando provisoriamente em um imóvel alugado na comunidade de Garajuva. Na época, a instituição contava com sete professores, uma responsável pedagógica, uma merendeira e um motorista, atendendo inicialmente 38 pessoas com deficiência.
Crescimento e ampliação dos atendimentos
Desde os primeiros anos, a APAE de Maracajá buscou ampliar os serviços oferecidos. Em 2008, após a conclusão das reformas da sede própria, a instituição passou a funcionar definitivamente no prédio doado pelo Maracajá Clube.
Nos anos seguintes, foram conquistados importantes avanços. Projetos e parcerias possibilitaram a implantação de salas equipadas para fisioterapia, educação física e oficinas pedagógicas. Em 2009, a entidade contratou uma fisioterapeuta e, posteriormente, uma psicóloga. Em 2010, passou a oferecer atendimento de fonoaudiologia, uma demanda antiga das famílias.
Também foram realizados investimentos na área tecnológica, com a implantação de uma sala de informática, aquisição de computadores e capacitação de profissionais. Em paralelo, a instituição ampliou seus espaços físicos para atividades esportivas, recreativas e de reabilitação.
Entre 2011 e 2021, diversos projetos desenvolvidos em parceria com entidades como o Instituto Guga Kuerten, Central do Dízimo Pró-Vida, Fundação Catarinense de Educação Especial, Sicoob e Poder Judiciário permitiram novas melhorias estruturais e aquisição de equipamentos especializados.
Entre as conquistas mais recentes estão a construção de uma moderna sala de fisioterapia, a aquisição do protocolo PediaSuit para reabilitação motora, lousas digitais, mesas interativas, academia ao ar livre e parque infantil adaptado.
Inclusão, desenvolvimento e qualidade de vida
Ao longo de sua história, a APAE de Maracajá consolidou-se como referência no atendimento às pessoas com deficiência. O trabalho desenvolvido vai além da educação especial, abrangendo programas de reabilitação, estimulação precoce, atendimento psicológico, fisioterapêutico, fonoaudiológico e ações voltadas à inclusão social.
A instituição atua valorizando as potencialidades de cada estudante, promovendo autonomia, socialização e participação ativa na comunidade. Além disso, busca conscientizar a sociedade sobre a importância da inclusão e do respeito às diferenças.
Vinte anos depois da fundação, a entidade continua sendo sustentada pelo envolvimento da comunidade, pelo trabalho voluntário, pelas parcerias com o poder público e pelo compromisso de profissionais e dirigentes que mantêm vivo o propósito que inspirou sua criação.
Mais do que uma escola especial, a APAE de Maracajá tornou-se um símbolo de solidariedade, união e transformação social, escrevendo diariamente histórias de superação, acolhimento e esperança para dezenas de famílias do município.







Fotos: Dado Farias

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