Em 59 anos de emancipação político-administrativa, Maracajá foi administrada por 13 prefeitos homens.
Muitas vezes, o público leitor espera que um historiador ou escritor, ao abordar a história de uma cidade em período de comemorações, limite-se apenas aos elogios e às celebrações que acompanham o clima festivo e de confraternização. No entanto, a função do historiador, ao realizar análises críticas dos fatos históricos, exige uma escrita que vá além dos enaltecimentos, trazendo também observações pertinentes para a reflexão sobre o presente e o futuro da cidade.
Isso não significa ausência de amor, respeito ou admiração por Maracajá. Pelo contrário, há inúmeras conquistas e aspectos positivos que merecem reconhecimento e valorização. Entretanto, existem questões que precisam ser debatidas com responsabilidade e sensibilidade, por representarem demandas importantes para o desenvolvimento social e político do município. Entre elas, destaca-se a ausência de mulheres no Poder Executivo de Maracajá ao longo de sua trajetória histórica. Refletir sobre essa realidade também é uma forma respeitosa e significativa de homenagear a cidade em seu aniversário.
No dia 12 de maio de 2026, Maracajá, município localizado no extremo sul catarinense, celebra seus 59 anos de emancipação político-administrativa. Com população estimada em cerca de 8.344 habitantes, conforme dados do IBGE e de monitoramentos municipais (Brasil, 2026), a cidade chega a esta data histórica mantendo, mais uma vez, homens nos cargos de prefeito e vice-prefeito. Para um pesquisador atento às questões da História e da Cultura, esse dado é relevante para pensar os rumos futuros e o próprio cenário político local.
Outro aspecto que merece reflexão refere-se à composição populacional do município. Estima-se que Maracajá possua cerca de 4.282 homens e 4.062 mulheres, uma diferença aproximada de apenas 220 pessoas. Esses números demonstram que a pequena diferença populacional entre homens e mulheres não justifica, historicamente, a predominância masculina nos espaços de maior poder político do município. Trata-se de uma questão que envolve cultura política, participação social e ampliação das oportunidades de representação feminina.
Ao longo da história política maracajaense, mulheres já disputaram eleições para os cargos de prefeita e vice-prefeita, inclusive por partidos tradicionais da cidade, como o Partido Progressista (PP) e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Contudo, apesar das candidaturas, ainda não houve a eleição de uma mulher para comandar o Poder Executivo municipal.
Atualmente, o município conta com quatro vereadoras no Poder Legislativo, e a presidência da Câmara Municipal é composta exclusivamente por mulheres. Esse avanço demonstra importantes transformações na participação feminina na política local. Maracajá aproxima-se simbolicamente da “boa idade”, e o amadurecimento histórico da cidade pode contribuir significativamente para que, nos próximos pleitos municipais, mulheres também ocupem os espaços de liderança máxima do município.
Quem sabe, em 2029, durante as comemorações dos 62 anos de emancipação político-administrativa de Maracajá, possamos celebrar e parabenizar a presença da primeira mulher no Poder Executivo municipal, seja como prefeita ou vice-prefeita. Para que isso aconteça, faz-se necessário que os homens que historicamente ocupam os espaços de poder também estejam dispostos a abrir caminhos para que as mulheres possam demonstrar seus talentos, competências e capacidade de gestão na administração pública municipal.
Essa é uma esperança que ultrapassa bandeiras partidárias e interesses políticos individuais. Trata-se de pensar no fortalecimento da inclusão, do empoderamento e da emancipação feminina dentro da história política de Maracajá. Afinal, uma cidade que amadurece historicamente também precisa ampliar a participação das mulheres nos espaços de decisão e liderança.
Ao longo de seus 59 anos de emancipação político-administrativa, Maracajá foi administrada por 13 prefeitos: Lauro Scarduelli, Tomaz Pedro da Rocha, Nivaldo José da Rosa, Antenor Apolinário de Oliveira, David Ramos, Antenor Rocha, Adilton de Medeiros, Lavino Alano da Silva, Antônio Carlos de Oliveira, Prezalino Ramos Neto, Wagner da Rosa, Arlindo Rocha e Anibal Brambila. Alguns deles exerceram mais de um mandato na condução do Poder Executivo municipal.
Na próxima matéria, será abordada a trajetória do prefeito Antenor Rocha, o único gestor municipal a exercer três mandatos em Maracajá ao longo desses 59 anos de emancipação político-administrativa. Serão apresentados aspectos e marcos deixados por sua gestão nas áreas da cultura, educação, educação inclusiva, educação ambiental, religião, política, economia, meio ambiente, saúde, esporte e lazer.

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