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Charles de Sousa e a missão da Folha Regional de fazer jornalismo com credibilidade

O impresso continua vivo

 

Em continuidade às reportagens que registra a história profissional do jornalista Charles de Sousa, esta edição aborda um importante capítulo da história da imprensa regional: o surgimento e a consolidação dos jornais “Quarta Linha News” e “Folha Regional”, publicações que contribuíram significativamente para registrar a memória dos municípios do Extremo Sul Catarinense.

 

Nesta coluna, o destaque recai sobre o “Quarta Linha News”, periódico impresso criado em outubro de 1994, considerado o ponto de partida de sua trajetória como editor, e sobre o “Folha Regional”, cuja edição de março de 1996 (Ano II, n.º 17) evidencia os primeiros passos de um projeto jornalístico que se consolidaria como um expressivo do Sul de Santa Catarina. Em meio às mudanças provocadas pelo avanço das tecnologias digitais e pela velocidade das redes sociais, Charles de Sousa reafirma a importância do jornal impresso como instrumento de informação, preservação da memória e construção da credibilidade, valores que continuam orientando sua atuação profissional há 31 anos.

Apesar de reconhecer todas essas mudanças tecnológicas, Charles acredita que o jornal impresso ainda possui um espaço importante na sociedade.

Segundo ele, a velocidade das redes sociais tornou a circulação das notícias praticamente instantânea. Ao mesmo tempo, criou novos desafios para os veículos tradicionais.

Hoje, manter um jornal impresso exige reinvenção constante. É preciso competir com milhares de informações publicadas diariamente nas redes sociais, muitas delas sem qualquer verificação.

Mesmo diante desse cenário, Charles de Sousa acredita que o impresso preserva características que dificilmente serão substituídas. "O jornal impresso proporciona uma experiência diferente. Muitas pessoas gostam de guardar um exemplar, revisitar uma reportagem anos depois ou simplesmente folhear suas páginas. Existe um valor histórico e afetivo que permanece" (Entrevista em 22 de julho de 2026). 

Essa permanência também está relacionada à credibilidade. Para muitos leitores, o jornal impresso continua representando um espaço onde a informação passa por critérios de apuração, responsabilidade editorial e compromisso com a verdade antes de chegar ao público.

 

Trinta e um anos registrando a história da região

 

Ao longo de mais de três décadas, a Folha Regional acompanhou praticamente todas as transformações vividas pelos municípios de sua área de circulação.

Mudanças políticas, emancipações administrativas, crescimento urbano, desenvolvimento econômico, criação de empresas, inauguração de escolas, investimentos públicos, eventos culturais, festas tradicionais, competições esportivas e centenas de histórias humanas passaram pelas páginas do jornal. Cada edição tornou-se um documento histórico.

Para Charles de Sousa, essa talvez seja uma das maiores contribuições da imprensa regional.Enquanto as notícias do cotidiano parecem passageiras, elas acabam formando, anos depois, um importante acervo documental sobre a história das comunidades (Entrevista em 22 de julho de 2026).

Mais do que informar, o jornal ajuda a preservar a memória coletiva. Esse entendimento sempre orientou sua atuação profissional e explica por que tantas reportagens publicadas ao longo dessas três décadas continuam sendo consultadas por pesquisadores, estudantes, professores e historiadores.

 

Ética, desafios e o compromisso com a verdade

 

Ao longo de mais de três décadas de atuação profissional, Charles de Sousa acompanhou profundas transformações na comunicação brasileira. Mudaram as tecnologias, os meios de produção, a velocidade da informação e a forma como a sociedade consome notícias. No entanto, para ele, há princípios que permanecem inalterados e que continuam sendo a essência do bom jornalismo: ética, responsabilidade, credibilidade e compromisso com a verdade (Entrevista em 22 de julho de 2026).

Esses valores nortearam sua atuação desde os primeiros dias na redação do Jornal do Sul e continuam presentes na condução da Folha Regional, veículo que, ao completar 31 anos de circulação, consolidou-se como um dos principais registros da história contemporânea de diversos municípios do Sul de Santa Catarina.

 

Três décadas acompanhando a história da regiãoe de Maracajá 

 

Ao ser questionado sobre quais entrevistas ou reportagens mais marcaram sua carreira, Charlesde Sousa faz uma pausa antes de responder. Depois de tantos anos dedicados à imprensa, afirma que cada reportagem possui sua importância, pois,representa um momento da história de uma comunidade.

Ao longo desses 31 anos de trajetória jornalística, foram realizadas inúmeras entrevistas, registradas incontáveis fotografias e publicadas centenas de edições da Folha Regional. Entre os acontecimentos que permanecem vivos na memória de Charles de Sousa, destacam-se as grandes manifestações realizadas na BR-101, especialmente nos períodos de intensa mobilização popular; as eleições municipais marcadas por disputas acirradas, sobretudo em Maracajá; o processo de criação, expansão e consolidação do Parque Ecológico Municipal de Maracajá; as tradicionais Festas do Colono; os eventos beneficentes promovidos pela Apae; e as campanhas solidárias organizadas pela comunidade para arrecadação de recursos destinados a cirurgias e tratamentos de saúde (Entrevista em 22 de julho de 2026).

Também ocupa lugar de destaque em sua trajetória a cobertura dos desafios impostos pela pandemia de Covid-19, período em que a Folha Regional manteve seu compromisso de informar a população com responsabilidade, seriedade e credibilidade, atuando em um dos momentos mais sensíveis e complexos da história recente.

Embora reconheça a importância desses episódios, Charles de Sousa ressalta que o verdadeiro legado do jornalismo está na continuidade do trabalho. "Cada edição representa um pedaço da história da nossa região. Quando reunimos todas elas, percebemos que estamos ajudando a preservar a memória das nossas cidades."

Essa visão explica por que a Folha Regional tornou-se uma importante fonte de consulta para pesquisadores, estudantes, professores e historiadores interessados em compreender a evolução política, econômica, social e cultural do Sul catarinense.

 

A revolução digital trouxe novos desafios

 

Se, por um lado, as tecnologias facilitaram a produção das notícias, por outro, criaram problemas inéditos para os profissionais da comunicação.

Charles observa que a internet democratizou o acesso à informação, permitindo que qualquer pessoa publique conteúdos em tempo real. Entretanto, essa facilidade também ampliou a circulação de informações falsas ou divulgadas sem a devida verificação.

Para ele, o crescimento das fake newsrepresenta um dos maiores desafios enfrentados pelo jornalismo contemporâneo. "Muitas vezes vemos pessoas que não são jornalistas divulgando notícias sem critérios, sem ouvir os envolvidos e sem qualquer responsabilidade sobre as consequências daquilo que publicam" (Entrevista em 22 de julho de 2026).

Segundo Charles de Sousa, a rapidez das redes sociais criou uma cultura de imediatismo que, em muitos casos, coloca a velocidade acima da precisão. Nesse contexto, ele acredita que o papel do jornalista profissional torna-se ainda mais importante. A apuração rigorosa, a conferência das informações e a responsabilidade ética continuam sendo elementos indispensáveis para garantir a credibilidade da notícia.

 

 

 

A importância da formação em Jornalismo

 

Outro tema que desperta preocupação em Charles de Sousa é a extinção da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista.

Até 17 de junho de 2009, a legislação brasileira exigia formação superior específica para atuar profissionalmente na área. Entretanto, nessa data, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional a exigência prevista no Decreto-Lei nº 972, de 1969, entendendo que ela restringia a liberdade de expressão garantida pela Constituição Federal de 1988 (Entrevista em 22 de julho de 2026).

Embora respeite a decisão judicial, Charles acredita que a formação universitária continua sendo um diferencial essencial para quem pretende exercer o jornalismo com qualidade. Segundo ele, a universidade não ensina apenas técnicas de redação. Ela forma profissionais capazes de compreender aspectos éticos, legais e sociais da comunicação, além de desenvolver competências relacionadas à investigação, interpretação dos fatos e responsabilidade pública (Entrevista em 22 de julho de 2026).

Na sua avaliação, o jornalismo exige muito mais do que saber escrever. É necessário compreender o impacto social da informação e reconhecer que uma notícia publicada sem critérios pode comprometer reputações, influenciar decisões e provocar danos irreparáveis.

 

O compromisso de ouvir todos os lados

 

Ao refletir sobre sua forma de trabalhar, Charles de Sousa destaca um princípio que considera inegociável: ouvir todas as partes envolvidas antes da publicação de qualquer notícia.Durante toda a carreira, evitou transformar a busca pelo chamado "furo jornalístico" em motivo para abrir mão da responsabilidade profissional. No jornalismo, "dar um furo" significa publicar uma informação exclusiva antes dos demais veículos de comunicação.

Embora esse reconhecimento seja valorizado na profissão, Charles afirma que nunca permitiu que a competição comprometesse a verificação dos fatos. "Prefiro perder um furo do que publicar uma informação incorreta."

Essa postura, segundo ele, foi construída ao longo dos anos e tornou-se uma marca da Folha Regional. Em diversas situações, o jornal deixou de divulgar uma notícia em primeira mão justamente porque aguardava a confirmação oficial dos fatos ou o posicionamento de todas as pessoas envolvidas(Entrevista em 22 de julho de 2026).

Para Charles de Sousa, essa cautela sempre fortaleceu a credibilidade do veículo. A "barrigada": um erro que todo jornalista procura evitar. 

No universo do jornalismo existe uma expressão bastante conhecida: "dar uma barrigada".O termo é utilizado quando um veículo divulga uma informação incorreta, precipitada ou não devidamente apurada.

Para Charles, evitar esse tipo de erro sempre foi uma prioridade.

Ao longo da entrevista, afirma que a credibilidade construída durante décadas pode ser colocada em risco por uma única notícia publicada sem a devida verificação. Por isso, a conferência das informações, a consulta às fontes e a confirmação dos fatos sempre fizeram parte da rotina da Folha Regional.

Essa postura, segundo ele, talvez explique a confiança conquistada junto aos leitores ao longo de mais de três décadas de circulação.

 

Educação sempre foi prioridade: o compromisso da Folha Regional com a formação da sociedade

 

Desde suas primeiras edições, ainda sob o nome Quarta Linha News, o jornalismo produzido por Charles de Sousa demonstrava que sua missão ia muito além da divulgação de fatos cotidianos. A educação ocupava lugar de destaque nas páginas do periódico, evidenciando uma compreensão de que o desenvolvimento das comunidades depende diretamente da valorização da escola, dos professores e das políticas públicas educacionais.

 

A primeira edição do Quarta Linha News, publicada em outubro de 1994, trazia como manchete principal "Educação – um desafio constante", dedicando a capa à realidade da Escola Básica João Dagostim. A reportagem discutia as dificuldades enfrentadas pela educação pública brasileira, como a carência de infraestrutura, laboratórios, bibliotecas, equipamentos e melhores condições para estudantes e docentes. Ao mesmo tempo, reconhecia o esforço coletivo da comunidade escolar para garantir uma educação de qualidade, destacando que educar significa muito mais do que transmitir conteúdos: representa formar cidadãos conscientes, capazes de compreender seus direitos e deveres e contribuir para a transformação da sociedade.

 

Dois anos depois, quando o periódico passou a circular com o nome Folha Regional, em março de 1996, a educação permaneceu como tema central da cobertura jornalística. A manchete de capa registrava a mobilização dos professores da rede estadual de ensino diante do atraso no pagamento dos salários e da possibilidade de paralisação das atividades. A reportagem abordava não apenas as reivindicações da categoria, mas também os impactos da desvalorização profissional sobre a qualidade da educação pública, reafirmando o compromisso do jornal em acompanhar assuntos de interesse coletivo e de grande relevância social.

 

A presença da educação nas primeiras páginas dessas duas edições revela uma característica que marcaria toda a trajetória da Folha Regional ao longo das décadas seguintes: compreender que o jornalismo regional também possui uma função educativa. Ao registrar as dificuldades enfrentadas pelas escolas, divulgar projetos pedagógicos, acompanhar investimentos públicos, dar voz aos profissionais da educação e promover debates sobre políticas educacionais, o jornal contribuiu para fortalecer o diálogo entre escola, comunidade e poder público.

 

Essa linha editorial consolidou a Folha Regional como um importante instrumento de informação e de preservação da memória educacional do Sul de Santa Catarina. Suas páginas documentaram reformas escolares, inaugurações de unidades de ensino, eventos culturais, conquistas acadêmicas, greves, debates sobre financiamento da educação e inúmeras iniciativas desenvolvidas por professores, estudantes e gestores. Mais do que noticiar acontecimentos, o periódico ajudou a construir um acervo histórico que permite compreender a evolução da educação na região.

 

Ao colocar a educação em evidência desde suas primeiras edições, Charles de Sousa demonstrou sensibilidade para reconhecer que uma sociedade mais justa e desenvolvida passa, necessariamente, pela valorização da escola pública e do trabalho dos educadores. Esse compromisso permanece como uma das marcas da identidade editorial da Folha Regional, reafirmando o papel social do jornalismo na defesa da cidadania, da formação humana e do desenvolvimento regional.





As opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade exclusiva do(a) colunista e não refletem, necessariamente, a posição do Portal Folha Regional.

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