Fanfarra “Superação” completa 10 anos de história, música e inclusão na APAE de Araranguá
Uma década de superação: Fanfarra da APAE de Araranguá transforma música em inclusão e protagonismo
Há dez anos, projeto reúne educandos em torno da música, percorre municípios, conquista título estadual e mostra que cada batida pode representar uma história de persistência, pertencimento e conquista.
Dez anos. Mais de 60 educandos envolvidos. Onze ritmos no repertório. Centenas de ensaios e apresentações. Mas, acima de tudo, uma década marcada por histórias de superação.
Em 2026, a Fanfarra Superação, da APAE — Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais — de Araranguá, completa dez anos de trajetória. O projeto, que nasceu da paixão de um professor pela música e pelas fanfarras, transformou-se em uma importante ferramenta de inclusão, convivência, desenvolvimento e protagonismo para os educandos da instituição.
Professor de Educação Física da APAE de Araranguá desde 2015, Lucas Salvador carrega uma relação antiga com a música. Em 1996, ainda estudante, começou a participar da fanfarra de sua escola. A experiência acompanhou sua formação e continuou mesmo depois da faculdade.
Ao chegar à APAE, em 2015, Lucas enxergou a possibilidade de levar para dentro da instituição uma paixão que fazia parte de sua própria história.
A ideia ganhou força em 2016, quando um projeto foi aprovado e os instrumentos chegaram pouco antes do desfile de 7 de Setembro. O tempo era curto. Era preciso preparar os educandos para a primeira apresentação em poucos dias.
Mesmo diante do desafio, Lucas adaptou dois ritmos e colocou o grupo na rua. Aquela primeira apresentação seria o ponto de partida para uma história que, dez anos depois, continua sendo construída.
Em 2017, o projeto ganhou uma rotina mais estruturada, com ensaios semanais. Com o passar dos anos, a fanfarra cresceu, incorporou novos ritmos e conquistou espaço em diferentes eventos. Atualmente, mais de 60 educandos participam das atividades nos períodos matutino e vespertino, em um sistema de participação e rodízio.
O repertório também acompanhou essa evolução. São 11 ritmos, que passeiam por estilos como axé, pop, rock, samba e reggae, apresentados de maneira dinâmica e conectados durante as performances.
Nos ensaios e apresentações, os educandos utilizam instrumentos como bumbo, ganzá, timbal, tamborim, xequerê, triângulo, meia-lua, cuíca e caixa.
Mas o verdadeiro resultado do projeto não pode ser medido apenas pela quantidade de instrumentos, ritmos ou apresentações.
Em entrevista ao historiador Lúcio Vânio Moraes, o professor Lucas Salvador, afirma que a fanfarra contribui diretamente para o desenvolvimento de diferentes habilidades e para a convivência entre os educandos. “Acredito que a fanfarra contribui diretamente para aspectos como concentração, coragem, determinação, respeito e interação entre os colegas.” (Entrevista em 28/08/2026).
Ele também destaca o envolvimento dos participantes com o projeto. “Eu vejo sempre essa vontade deles de estar ali, de fazer parte disso. A fanfarra acaba sendo um complemento muito importante para as atividades diárias dos educandos.”
Da sala de aula para os palcos
Ao longo desses dez anos, a Fanfarra Superação também levou o nome da APAE de Araranguá para diferentes espaços e municípios. O grupo participou de apresentações em escolas, igrejas, eventos e festividades em cidades e localidades do Vale do Araranguá e de outras regiões.
A trajetória também ultrapassou os limites do extremo sul catarinense. A fanfarra se apresentou em Criciúma e participou de competições que renderam conquistas importantes.
Uma das mais marcantes ocorreu em 2018. Naquele ano, a Fanfarra “Superação” conquistou o título estadual na categoria Música, em uma competição realizada em Turvo.
A vitória abriu uma nova porta: a participação no Festival Nossa Arte, em Joinville. Na ocasião, os educandos tiveram a oportunidade de se apresentar no ginásio Cau Hansen, levando para um dos principais espaços culturais e esportivos da cidade a música construída dentro da APAE de Araranguá.
Para Lucas Salvador, cada apresentação, porém, carrega um significado que vai muito além do resultado de uma competição. “Quando olho para esses dez anos, vejo o quanto os educandos foram persistentes e engajados. Cada ano surgia a ideia de um ritmo novo, chegava com uma proposta nova e eles abraçavam o desafio.”
Uma história construída por muitas mãos
Nenhuma trajetória de dez anos é construída por uma única pessoa. A Fanfarra “Superação” também é resultado da participação de profissionais, gestores, famílias e, principalmente, dos próprios educandos, que, ano após ano, aceitaram o desafio de aprender, ensaiar e se apresentar.
Lucas faz questão de reconhecer quem esteve presente desde o início e quem ajudou a manter o projeto vivo ao longo dos anos. “Gostaria de agradecer à ex-diretora Clarinda, que deu início a esse projeto em 2016, e à nova gestão da direção da APAE, aos profissionais da instituição e, principalmente, às famílias dos educandos, que acreditaram no projeto. Quero agradecer muito à direção da instituição, à minha diretora Luana Hoepers e ao presidente da APAE Sadi Possamai, que acreditam no trabalho e tornam tudo mais fácil para que a fanfarra aconteça”.
Dez anos depois daquela primeira apresentação, a Fanfarra Superação continua ensaiando, criando novos ritmos e ocupando espaços.
O que começou com uma ideia, alguns instrumentos e pouco tempo para preparar uma apresentação tornou-se um projeto permanente dentro da APAE de Araranguá.
Para os educandos, cada ensaio representa uma oportunidade de participar. Cada apresentação, um momento de protagonismo. Cada novo ritmo, um desafio vencido.
A música tornou-se uma linguagem capaz de aproximar, integrar e revelar potencialidades. E, ao longo de uma década, a fanfarra mostrou que sua maior conquista não está apenas nos palcos ou nos troféus, mas nas experiências vividas por aqueles que fazem parte dela.
Para a diretora da Apae Luana Hoepers, “mais do que uma fanfarra, o projeto se transformou em um espaço de inclusão, convivência e desenvolvimento. Porque, quando os instrumentos começam a tocar, não são apenas notas e ritmos que ecoam. Em cada batida, há dedicação. Em cada apresentação, coragem. Em cada conquista, uma história. E é justamente essa força — a capacidade de persistir, participar e superar desafios — que dá sentido ao nome que acompanha o grupo há dez anos: Fanfarra Superação”. (Entrevista em 28/08/2026).

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