Fabricio Teodoro Abdel Qader defende dissertação sobre a representação indígena nos livros didáticos de História em escolas públicas estadual da AMESC e AMREC, em universidade do Uruguai
No dia 12 de agosto de 2026, a pesquisa acadêmica brasileira ganhou mais um importante espaço de reconhecimento internacional com a defesa da dissertação de mestrado de Fabricio Teodoro Abdel Qader, realizada pela Universidad de la Empresa (UDE), em Montevidéu, Uruguai, por meio da Facultad de Ciencias de la Educación e do Programa de Formación Avanzada en Educación – Maestría en Educación.
Intitulada “Representação do indígena brasileiro contemporâneo no livro didático de história do ensino fundamental II utilizado nas escolas catarinenses (2006-2022)”, a pesquisa coloca em evidência uma questão fundamental para a educação brasileira: como os povos indígenas são apresentados às novas gerações nos livros didáticos de História?
Em entrevista concedida no dia 17 de agosto de 2026, Fabricio Teodoro Abdel Qader relatou que iniciou seu mestrado em julho de 2018. Inicialmente, cursou, durante dois anos, as disciplinas obrigatórias presencialmente em Montevidéu. Para isso, viajava duas vezes ao ano até a Universidad de la Empresa (UDE), nos meses de janeiro e julho, permanecendo no país por aproximadamente duas semanas em cada período. As viagens eram realizadas de ônibus e, durante sua permanência no Uruguai, ficava hospedado em hotel (Entrevista concedida a Lúcio Vânio Moraes no dia 17 de agosto de 2026).
Após a conclusão das disciplinas obrigatórias, teve início o processo de elaboração do projeto de pesquisa. Na sequência, veio a pandemia, que acabou atrasando o desenvolvimento da pesquisa e o andamento das aulas. Com o retorno das atividades, foram retomados o processo de pesquisa de campo, as leituras e as demais etapas necessárias para a continuidade do estudo.
Mais do que analisar conteúdos escolares, o estudo lança luz sobre a maneira como a sociedade brasileira constrói, reproduz e transmite representações sobre os povos indígenas. Ao investigar materiais utilizados em escolas das regiões da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (AMESC) e da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (AMREC), a pesquisa aproxima a produção acadêmica da realidade educacional regional e contribui para o debate sobre diversidade, identidade, memória e educação para as relações étnico-raciais.
A dissertação foi orientada pelo Professor Dr. Paulo Sérgio Osório, da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). A instituição possui atuação consolidada na área de História e em pesquisas relacionadas à memória, patrimônio, sociedade e processos históricos da região Sul de Santa Catarina.
Uma banca formada por pesquisadores brasileiros
A defesa ocorreu de forma on-line, com início às 14 horas e finalização às 17 horas. A sessão contou com uma banca examinadora composta por pesquisadores brasileiros de diferentes instituições de ensino superior e de educação, evidenciando a relevância acadêmica e interdisciplinar da investigação.
Participaram da banca o prof. Dr. Antonio Luiz Miranda, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), instituição na qual atua como professor do Campus Chapecó, prof. Dr. Rainer Gonçalves Souza, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG), pesquisador e professor da área de História, com atuação voltada especialmente à História do Brasil Contemporâneo e pelo prof. Dr. Lúcio Vânio Moraes, da Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina (SED/SC), onde leciona o componente curricular de História no Ensino Médio em escolas públicas da região da AMESC.
Um olhar crítico sobre a educação e a diversidade
A investigação de Fabrício Abdel Qader assume especial importância diante do papel desempenhado pelo livro didático na formação histórica e cultural dos estudantes. Para milhões de crianças e adolescentes brasileiros, o livro escolar constitui uma das principais portas de entrada para o conhecimento sobre a história do país e sobre os diferentes grupos que participaram da construção da sociedade brasileira.
Nesse contexto, a forma como os povos indígenas aparecem, ou deixam de aparecer, nos livros de História não é uma questão meramente pedagógica. Trata-se de uma questão relacionada à memória, à identidade, à cidadania e ao reconhecimento da diversidade que constitui o Brasil.
Ao concentrar sua análise no período de 2006 a 2022, a pesquisa também contempla uma importante etapa das transformações ocorridas na educação brasileira e nas discussões sobre a presença da história e das culturas indígenas no currículo escolar.
O estudo, portanto, contribui para questionar representações estereotipadas, imagens cristalizadas e perspectivas exclusivamente associadas ao passado, favorecendo uma compreensão dos povos indígenas como sujeitos históricos contemporâneos, protagonistas de suas próprias trajetórias, culturas, lutas e reivindicações.
Da realidade regional para o debate nacional
Um dos aspectos de maior relevância da pesquisa está justamente na escolha das escolas das regiões da AMESC e da AMREC como espaço de investigação. Ao partir de uma realidade regional, o trabalho alcança uma discussão de dimensão nacional: que imagem do indígena brasileiro está sendo apresentada aos estudantes?
A pergunta ganha ainda maior força quando se considera que a educação tem papel fundamental na construção de uma sociedade capaz de reconhecer sua diversidade histórica e cultural.
A defesa realizada pela Universidad de laEmpresa (UDE), em Montevidéu, Uruguai, representa, assim, não apenas a conclusão de uma etapa da trajetória acadêmica de Fabrício Teodoro Abdel Qader, mas também a socialização de uma investigação que estabelece uma ponte entre a pesquisa acadêmica, a escola e os desafios contemporâneos da educação brasileira.
Um momento de reconhecimento acadêmico
A defesa da dissertação simboliza uma conquista importante para o pesquisador e para todos aqueles que participaram de sua trajetória acadêmica. O trabalho demonstra que questões relacionadas à História, à educação e à representação dos povos indígenas podem, e devem, ultrapassar os limites da sala de aula e alcançar espaços de discussão científica em âmbito internacional.
Ao levar para uma instituição de ensino superior do Uruguai uma pesquisa construída a partir da realidade das escolas do Sul de Santa Catarina, Fabricio Teodoro Abdel Qader evidencia a força da produção acadêmica regional e sua capacidade de contribuir para debates que interessam não apenas ao Brasil, mas à educação latino-americana.
A defesa realizada em 12 de agosto de 2026 deixa, portanto, uma mensagem que ultrapassa a conquista de um título acadêmico: conhecer como os indígenas são representados é também refletir sobre como a própria sociedade brasileira escolhe contar sua história. E, ao repensar essa narrativa, abre-se espaço para uma educação mais plural, crítica, democrática e comprometida com o reconhecimento dos povos indígenas como protagonistas da história do Brasil.



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