Maracajá recebeu seu primeiro Pároco em janeiro de 1956: Frei Cipriano Stangherlin assumiu provisoriamente a paróquia Nossa Senhora da Conceição
Em 2008, publiquei o livro “História e Memória Religiosa: Paróquia Nossa Senhora da Conceição (1956–2006)”, uma obra elaborada por ocasião das comemorações dos 50 anos da presença da instituição religiosa no município de Maracajá. Naquele momento, o trabalho reuniu documentos históricos, registros paroquiais, fotografias e depoimentos de pessoas que contribuíram para preservar a trajetória da comunidade católica e compreender os diferentes acontecimentos que marcaram sua formação.
Passados quase 18 anos desde aquela publicação, retomamos os estudos e as pesquisas históricas no contexto das comemorações dos 70 anos da Paróquia Nossa Senhora Mãe dos Homens, em Maracajá. A presente matéria integra esse esforço de recuperação, valorização e divulgação da memória religiosa do município, trazendo ao conhecimento da comunidade informações documentais e históricas anteriormente pesquisadas e publicadas, agora revisitadas à luz dessa importante celebração.
Para compreender os primeiros acontecimentos da história paroquial, é necessário esclarecer um aspecto cronológico importante. A Paróquia de Maracajá foi efetivamente criada em 25 de janeiro de 1956, data que marca sua instituição religiosa e o início de sua organização eclesiástica na comunidade. Entretanto, o decreto oficial de criação foi expedido posteriormente, em 2 de maio de 1956. Portanto, é importante distinguir o momento da criação da paróquia de sua formalização por meio do respectivo decreto (Moraes, 2008, p. 49).
Essa distinção permite compreender a sequência dos acontecimentos daquele ano. Apenas quatro dias após sua criação, em 29 de janeiro de 1956, ocorreu a posse de Frei Cipriano Stangherlin, primeiro religioso a assumir a função de vigário na recém-criada Paróquia de Maracajá. A cerimônia representou um marco na história religiosa local, reunindo autoridades eclesiásticas, testemunhas e numerosos fiéis que acompanharam a chegada do sacerdote responsável, inicialmente em caráter provisório, pela condução das atividades pastorais na localidade (Moraes, 2008, p. 57-58).
Conforme o registro preservado no Livro Tombo da Paróquia, a solenidade contou com a presença de Dom Anselmo de Pietrulla, então bispo de Tubarão. A celebração teve início com a leitura da provisão de nomeação do novo vigário, realizada pelo reverendo padre Urbano, vigário cooperador da Catedral. Na sequência, o bispo apresentou Frei Cipriano à comunidade, dirigindo palavras de acolhida e ressaltando a importância de sua missão religiosa junto aos paroquianos (Moraes, 2008, p. 57-58).
Durante a celebração da Santa Missa, no momento do Evangelho, Frei Cipriano também dirigiu algumas palavras aos fiéis, marcando oficialmente o início de sua atuação pastoral em Maracajá. O episódio evidencia a importância atribuída à instalação da nova estrutura paroquial e à presença de um sacerdote para acompanhar espiritualmente a comunidade, organizar as atividades religiosas e fortalecer a vida católica na localidade (Moraes, 2008, p. 57-58).
Natural de Antônio Prado, no Rio Grande do Sul, Frei Cipriano Stangherlin pertencia à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, procedente da Província de Caxias do Sul. Entretanto, sua permanência em Maracajá como pároco foi bastante breve, totalizando aproximadamente 21 dias. Sua atuação ocorreu em caráter provisório, enquanto se aguardava a chegada de Frei Eusébio, que seria o responsável por assumir efetivamente a paróquia (Moraes, 2008, p. 57-58).
Essa informação também aparece na memória de antigos moradores da comunidade. Em entrevista concedida ao pesquisador Lúcio Vânio Moraes, em 12 de janeiro de 2007, Dona Julieta Antônio Pereira Medeiros recordou que Frei Cipriano permaneceu temporariamente em Maracajá até a chegada de Frei Eusébio, que ainda se encontrava atuando em outra paróquia. Segundo seu depoimento, a transferência e a chegada do religioso foram adiadas em razão de procedimentos burocráticos (Moraes, 2008, p. 57-58).
Embora tenha permanecido pouco tempo no exercício da função de pároco, Frei Cipriano retornou a Maracajá em 1957, dessa vez para colaborar com Frei Eusébio durante a realização de atividades missionárias. O Livro Tombo registra que, em 3 de agosto daquele ano, tiveram início as missões religiosas na igreja matriz e nas capelas de Barranco Vermelho, Encruzo e Cedro. O registro informa que o antigo vigário retornou para auxiliar nas reuniões e nas atividades desenvolvidas durante o período missionário (Moraes, 2008, p. 57-58).
Esse retorno demonstra que sua participação na história religiosa de Maracajá não se restringiu aos primeiros dias de instalação da paróquia. Mesmo depois de deixar a função de vigário, Frei Cipriano voltou a colaborar com os trabalhos pastorais, contribuindo para o desenvolvimento das atividades religiosas nas comunidades que integravam a organização paroquial (Moraes, 2008, p. 57-58).
A trajetória de Frei Cipriano Stangherlin representa, portanto, um dos primeiros capítulos da história da Paróquia de Maracajá. Sua posse, em janeiro de 1956, simbolizou o início da organização sacerdotal da instituição, enquanto seu retorno, em 1957, evidencia a continuidade de sua colaboração com a comunidade católica (Moraes, 2008, p. 57-58).
Ao revisitar esses acontecimentos no contexto dos 70 anos da Paróquia Nossa Senhora Mãe dos Homens, reafirma-se a importância dos documentos históricos, dos registros do Livro Tombo e dos depoimentos daqueles que vivenciaram ou preservaram essa trajetória. Recuperar essas memórias significa reconhecer os religiosos, as lideranças e os fiéis que participaram da construção da história religiosa de Maracajá, permitindo que as novas gerações conheçam e valorizem as origens de sua comunidade.
Preservar a memória religiosa de um município é também preservar parte de sua própria história social e cultural. Os acontecimentos aqui apresentados demonstram que a formação da paróquia foi resultado de um processo histórico que envolveu organização institucional, atuação religiosa e participação comunitária. Ao completar sete décadas, essa trajetória merece ser lembrada, pesquisada e compartilhada, reafirmando o valor da história e da memória para as gerações presentes e futuras.
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