Maracajá se destaca no Sul catarinense com mulher na presidência do Legislativo: Gisele da Silva Garcia Dal Pont é presidente da Câmara Municipal
O texto desta semana destaca a memória de infância, a trajetória escolar, profissional e política da vereadora Gisele da Silva Garcia Dal Pont, especialmente seu papel histórico ao assumir a presidência da Câmara Municipal de Maracajá, e se contextualiza com o 8 de Março, Dia Internacional da Mulher. A rigor, a minha preocupação com a questão de gênero e o respeito às mulheres não se configura apenas em datas específicas, como parte de um clichê.
Esse fato marcante foi publicado com grande destaque no Jornal Folha Regional, em 13 de fevereiro de 2026, recebendo amplo reconhecimento, especialmente sob o enfoque político do acontecimento.
Nesta coluna, contudo, o olhar se volta de maneira mais específica para o debate de gênero na política do município, analisando os avanços, os desafios e os significados dessa conquista histórica para a participação feminina no cenário local.
A posse de Gisele da Silva Garcia Dal Pont como presidente da Mesa Diretora representa um marco não apenas para o município, mas para toda a região Sul catarinense. Sua eleição ganha ainda mais relevância ao abranger o contexto das associações regionais, como a Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (AMESC), a Associação dos Municípios da Região Carbonífera (AMREC) e a Associação dos Municípios da Região de Laguna (AMUREL), consolidando-se como um feito de grande importância em Santa Catarina e no Brasil. A entrevista com a vereadora foi realizada por meio do aplicativo WhatsApp, nos dias 25 e 26 de fevereiro de 2026.
Maracajá tem se destacado em nível nacional por um fato histórico e marcante para o município. Com aproximadamente 7.815 habitantes (IBGE/2022) e 6.423 eleitores (TSE/2022), a cidade elegeu, no pleito de 2024, quatro mulheres vereadoras — um feito expressivo e significativo, especialmente considerando o porte do município.

Esse resultado demonstra que Maracajá vem promovendo um debate qualificado sobre respeito, igualdade e equidade de gênero na política, mesmo sendo um município com apenas 58 anos de emancipação político-administrativa. O avanço da representatividade feminina no Legislativo municipal evidencia uma transformação cultural importante e um amadurecimento democrático da comunidade.
Além disso, o fato de o Poder Legislativo contar agora com uma Mesa Diretora 100% composta por mulheres reforça ainda mais esse marco histórico. Essa conquista tem atraído a atenção de jornalistas, historiadores e pesquisadores que estudam a participação feminina e as questões de gênero na política, projetando Maracajá como referência nacional em representatividade e protagonismo feminino no cenário político municipal.
A vereadora Gisele da Silva Garcia Dal Pont nasceu em 22/04/1980, no Hospital Bom Pastor de Araranguá, sendo natural de Maracajá. É filha do ex-vereador senhor José Elias Garcia, carinhosamente conhecido por “Garajuva”, e da senhora Iolanda da Silva conhecida como Landa . Gisele teve sua infância na comunidade de Garajuva, onde aos sete anos de idade, estudou na Escola Reunida Adolfo Postol até o quarto ano primário. Cursou o Ensino Fundamental II e o Ensino Médio na EEB Manoel Gomes Baltazar, em Maracajá.
No ano de 1998, realizou o curso de Ciências Biológicas ou Biologia na Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). Ainda em 1998 conheceu Fernando Dal Pont; namoraram por um período de 06 anos e, no dia 03, do mês de julho do ano de 2004, celebraram o sacramento do Matrimônio na Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição de Maracajá, celebração realizada pelo Frei Daniel Costela. Nesse enlace matrimonial, Deus concedeu dois lindos filhos: Felipe Dal Pont e Giulia Dal Pont.
A vereadora Gisele da Silva Garcia Dal Pont prestou concurso público em Maracajá e se efetivou no cargo de bióloga no ano de 2002. Desde então, tem se dedicado de maneira exemplar às questões de Educação Ambiental e Patrimonial no município, com forte participação em projetos e ações voltados para a preservação e conscientização ambiental.
Ela teve papel direto no processo de estudos, mapeamento e criação do Parque Ecológico Municipal Prefeito Thomaz Pedro da Rocha, além de ter sido fundamental na criação do Centro de Triagem e na implementação da coleta seletiva de resíduos sólidos. Sua atuação também se estendeu ao projeto de educação ambiental, que foi implementado nas escolas da rede pública municipal e estadual de Maracajá, promovendo a sensibilização e o engajamento de alunos e educadores.
Além de sua contribuição nas questões ambientais, Gisele se destacou na organização das Festas do Colono de Maracajá, evento tradicional que celebra a cultura local e a história dos colonizadores da região.
Atualmente, ela ocupa o cargo de vice-presidente da Câmara dos Dirigentes Logistas (CDL) de Maracajá, onde se empenha em promover o desenvolvimento do comércio local e a integração da comunidade empresarial. Também atua ativamente em sua igreja na comunidade de Vila Beatriz, onde, além de ser membro engajada, exerce a função de coordenadora da catequese, dedicando-se à formação religiosa e à orientação espiritual dos jovens da localidade.
No ano de 2024, Gisele da Silva Garcia Dal Pont colocou-se à disposição para ser candidata a vereadora pelo Partido Liberal (PL). Não para cumprir apenas a Lei — os partidos são obrigados a ter pelo menos 30% de mulheres concorrendo nas eleições para os legislativos locais —, mas para fazer a diferença, lutar e se envolver na política. Conforme a entrevistada, “o gosto pela política tem muito do meu pai na minha vida. Ele foi vereador em Maracajá, tem gosto pela política, se envolve, foi presidente da Câmara de Vereadores de 1992 a 1993 e foi também um grande incentivador nesse processo. Fiz uma campanha justa, tranquila e recebi a confiança das pessoas, obtendo carinhosamente 174 votos nas urnas no dia 3 de outubro de 2024.” (Entrevista em 24/2/2026).
As mulheres em Santa Catarina, ainda enfrentam barreiras significativas devido à persistente visão machista que permeia a sociedade. A desigualdade de gênero se reflete de maneira acentuada no campo político, especialmente em nível nacional, onde a superioridade masculina continua a ser uma marca. O historiador Jairo Cesa, em seu recente livro “Tramas, Intrigas e Tensas Disputas Eleitorais: História Política de Araranguá (1880-2000)”, reflete sobre a participação das mulheres na política da cidade. Segundo o autor, ao longo dos 145 anos de emancipação político-administrativa de Araranguá, os espaços de poder, tanto no Legislativo quanto no Executivo, foram predominantemente ocupados por homens.
Dos 32 pleitos eleitorais realizados no município, apenas quatro mulheres, em meio a um "oceano" de centenas de candidatos masculinos, conseguiram superar as dificuldades, enfrentar o medo e os preconceitos arraigados na sociedade e conquistar uma cadeira na Câmara de Vereadores de Araranguá. No entanto, no último pleito eleitoral, mesmo com um número expressivo de candidaturas femininas – incluindo postulantes a prefeita, vice-prefeita e vereadoras – nenhuma delas conseguiu êxito nas urnas, refletindo a resistência ainda presente no processo eleitoral e na política local. A presença feminina, apesar de crescente, continua sendo desafiada pelas normas e estruturas políticas que ainda privilegiam a participação masculina.
Em Maracajá, Gisele da Silva Garcia Dal Pont é a segunda mulher maracajaense a assumir o Legislativo Municipal em Maracajá. A primeira foi a senhora ex-vereadora Maria Chirlene de Souza Freitas nos anos de 1997 e 1998.
Conforme a vereadora Gisele da Silva Garcia Dal Pont, “Maracajá é exemplo no que diz respeito à participação da mulher na política. Somos ouvidas e respeitadas pela população e sociedade como um todo. As mulheres conseguem estar na política, basta acreditar, ter coragem e, principalmente, o apoio familiar, que é fundamental para que exerçamos um mandato pró-ativo. Nunca tivemos problema com machismo na Casa Legislativa e nós quatro mulheres somos ouvidas e respeitadas”.
A presidência de Gisele simboliza avanço na representatividade feminina nos espaços de poder legislativo, reforçando o protagonismo das mulheres na política municipal e regional. Sua condução à frente do Legislativo municipal marca um período histórico e inspirador para outras lideranças femininas.
Em âmbito nacional, há registro de um feito semelhante apenas na Câmara Municipal de Cuiabá, cuja Mesa Diretora para o biênio 2025–2026 tomou posse em 1º de janeiro de 2025, tornando-se um marco por ser composta 100% por mulheres. A gestão, com mandato até 31 de dezembro de 2026, tem como foco a ampliação da representatividade e o fortalecimento do trabalho legislativo na capital mato-grossense. Entre os destaques da nova composição está a presidente Paula Calil, que assumiu a liderança do Legislativo cuiabano nesse período histórico.
Assim, a presidência de Gisele da Silva Garcia Dal Pont na Câmara de Maracajá insere o município em um contexto mais amplo de fortalecimento da participação feminina na política, evidenciando um momento histórico de transformação e valorização da liderança das mulheres no cenário público local.
Destaca-se, ainda, o fato inédito de a Mesa Diretora ser composta 100% por mulheres, assim constituída: Presidente: Vereadora Gisele da Silva Garcia Dal Pont – PL; Vice-Presidente: Vereadora Rosilane Dassoler da Silva Valério – MDB; 1ª Secretária: Vereadora Gislaine de Bem Rocha – MDB; e 2ª Secretária: Vereadora Diani Martins Bosa Pereira – PSD.
O ato de posse e celebração ocorreu no dia 9 de fevereiro de 2026, marcando oficialmente esse importante momento na história política do município e o mandato da mesa diretora finaliza em 31 de dezembro de 2026.
Para o Dia Internacional das Mulheres, a vereadora diz que “o 8 de Março é um momento de reflexão, reconhecimento e reafirmação das lutas históricas das mulheres por respeito, igualdade e oportunidades. Não é apenas uma data comemorativa, mas um chamado à consciência coletiva para que continuemos avançando na construção de uma sociedade mais justa. Que cada mulher se sinta valorizada, fortalecida e encorajada a ocupar os espaços que desejar, seja na família, no trabalho ou na política. A presença feminina nos espaços de decisão é essencial para uma democracia mais representativa e humana”, conclui a vereadora Gisele da Silva Garcia Dal Pont.

As opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade exclusiva do(a) colunista e não refletem, necessariamente, a posição do Portal Folha Regional.
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