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Lúcio Vânio Moraes

Memória familiar de Antenor Rocha

Nesta matéria darei continuidade aos estudos sobre os 59 anos de emancipação político-administrativa de Maracajá. Iniciarei o processo de escrita acerca das marcas e dos legados deixados pelos 13 prefeitos que administraram o município, analisando suas ações nos aspectos da educação, economia, política, cultura, religiosidade, saúde, área social e saneamento básico.

Como ponto de partida para esta pesquisa histórica, escolhi o prefeito que exerceu o maior número de mandatos na cidade, o senhor Antenor Rocha, carinhosamente conhecido como Tata. Seu primeiro mandato ocorreu na gestão de 01/01/1989 a 31/12/1992, tendo como vice-prefeito Pedro Tomaz Pereira. Posteriormente, voltou a administrar o município nas gestões de 01/01/1997 a 31/12/2000 e de 01/01/2001 a 31/12/2004, ao lado do vice-prefeito Ademir Antenor de Oliveira (in memoriam). 

Antes de registrar e analisar as ações desenvolvidas durante suas administrações, realizarei inicialmente escrita biográfica de Antenor Rocha, como forma de contribuir para a preservação de sua memória e de sua trajetória política no município. Para um historiador, é extremamente significativo poder conviver ou ter convivido com as pessoas sobre as quais pesquisa e desenvolve o trabalho historiográfico.

No meu caso, durante o primeiro mandato do prefeito Antenor Rocha, em 1989, eu tinha apenas 9 anos de idade e já vivenciava, ainda que na infância, as influências de sua gestão no cotidiano da cidade. Hoje, passados 36 anos, tenho a oportunidade de escrever sobre um homem público que administrou Maracajá justamente no período da minha infância, estabelecendo assim uma relação entre memória pessoal, experiência vivida e construção historiográfica.

Em entrevista concedida no dia 30 de março de 2026, o ex-prefeito de Maracajá, Antenor Rocha, relembrou aspectos marcantes de sua trajetória pessoal e familiar, trazendo à tona memórias que ajudam a compreender a formação humana de uma das principais lideranças políticas da história do município. Conhecido popularmente como “Tata”, Antenor explicou que o apelido surgiu ainda na infância, dado de forma carinhosa por seus pais e incorporado naturalmente ao longo de sua vida.

Nascido em 20 de janeiro de 1952, Dia de São Sebastião, Antenor Rocha veio ao mundo na localidade de São Jorge, região que na época pertencia ao município de Criciúma e que posteriormente passou a integrar Forquilhinha. O nascimento ocorreu em casa, por meio de parto normal, sendo ele o quinto filho de sua mãe.

Ao recordar suas origens, Antenor Rocha destacou a importância da família em sua formação. Sua mãe, Esmeraldina de Freitas Rocha (in memoriam), era filha de Amália de Freitas e Antônio de Freitas, ambos naturais de Jaguaruna. Nascida em 28 de julho de 1914, Esmeraldina faleceu em 28 de março de 2004, no Hospital São José, em Criciúma, após enfrentar problemas pulmonares e cardíacos. Ela permaneceu internada por aproximadamente duas semanas antes de seu falecimento.

Durante a entrevista, Antenor falou emocionado sobre os últimos momentos vividos ao lado da mãe. Recordou que ela apreciava comidas simples e tradicionais, como feijoada, galinha, polenta, minestra e pirão d’água com peixe. Em um dos relatos mais emocionantes da entrevista, descreveu o instante de despedida: “Minha mãe faleceu às 19 horas. Entrei no quarto, coloquei minha cabeça sobre o peito dela e, depois disso, ela partiu.”

Ao abordar a história do pai, Tomaz Pedro da Rocha (in memoriam), Antenor Rocha destacou as raízes familiares ligadas à região sul catarinense. Tomás era filho de João Pedro da Rocha, natural de Meleiro, e de Ana da Silva Rocha, natural do Rio Grande do Sul. Nascido em 24 de maio de 1916, em Meleiro, mudou-se ainda criança para a comunidade de São Jorge, onde construiu sua vida, sua família e sua trajetória pública.

Durante a entrevista, Antenor Rocha comentou com orgulho que seu pai foi o primeiro prefeito eleito de Maracajá, desempenhando papel fundamental no processo de organização e desenvolvimento do recém-emancipado município. Segundo Tata, Tomaz Pedro da Rocha trouxe importantes conquistas para a nova cidade, contribuindo significativamente para o crescimento

Segundo Antenor, o pai possuía forte ligação com a música e aprendeu a tocar violino na localidade de Cidade Alta, ao lado de Nico Pinheiro. As lembranças da velhice do pai também permanecem vivas na memória do ex-prefeito. Ele contou que, próximo ao aniversário de 96 anos, os dois viajaram até Araranguá para comprar um terno novo. Tomás Pedro da Rocha viveu até os 100 anos de idade.

Tomás faleceu em 26 de outubro de 2016, também no Hospital São José, em Criciúma, após permanecer internado por cerca de uma semana. Antenor relatou que esteve presente nos momentos finais do pai: “Meu pai faleceu pela manhã, às 8 horas. Deram comida para ele e, depois, ele partiu. Eu estava nos pés da cama quando ele se apagou. Ele não sofreu.”

As memórias familiares permaneceram simbolicamente presentes nas novas gerações. Dois dias após a morte de Tomás Pedro da Rocha, nasceu o neto Thomas, nome escolhido em homenagem ao bisavô. Da mesma forma, o nome Enzo Tatiane recebeu inspiração em Esmeraldina, mantendo viva a lembrança da matriarca da família.

Os pais de Antenor Rocha estão sepultados em Maracajá. O casal viveu 64 anos de união matrimonial. Segundo Antenor, após o falecimento da esposa, Tomás sofreu profundamente com a perda, mas conseguiu superar o luto com o passar do tempo.

Antenor Rocha casou-se com Margareth Maria Tomasi Rocha (in memoriam) no dia 12 de julho de 1980. Da união do casal nasceram dois filhos: Guilherme Augusto Tomasi Rocha e Tatiane Tomasi Rocha Tomita.

A família cresceu com a chegada dos netos, motivo de grande orgulho e alegria para Antenor. Filho de Guilherme, Thomas da Silva Rocha, de 9 anos, carrega no nome uma homenagem ao bisavô Tomás Pedro da Rocha. Já Enzo Akio Tomita, de 8 anos, filho de Tatiane, representa a continuidade e os laços entre as gerações, mantendo viva também a memória e a homenagem à dona Esmeraldina, figura marcante na história da família.


Dona Esmeraldina de Freitas Rocha (E), mãe de Antenor Rocha, sr. Antenor Rocha, sr. Tomaz Pedro da Rocha (pai do Tata) e Margareth Maria Tomasi Rocha (esposa do Tata)
Margareth Maria Tomasi Rocha (E), filhos Guilherme Augusto Tomasi Rocha e Tatiane Tomasi Rocha Tomita e sr. Antenor Rocha (D)
Tomaz Pedro da Rocha, conhecido por seu Tumazinho, primeiro prefeito eleito de Maracajá. Gestão: 31/01/1969 a 31/01/1973







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Lúcio Vânio Moraes - Historiador

Lúcio Vânio Moraes - Historiador

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